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Antônio Bandeira

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Currículo

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(Fortaleza, Ceará, 1922 – Paris, França, 1967). Pintor, desenhista, gravador. Destaca-se por contribuir para a renovação da arte cearense e por imprimir características locais a sua produção.

Inicia-se na pintura como autodidata na década de 1940. Em 1941, em Fortaleza, participa da criação do Centro Cultural de Belas Artes (CCBA), que dá origem, em 1943, à Sociedade Cearense de Artes Plásticas (Scap). O CCBA mobiliza a cultura visual cearense e monta um espaço para exposições permanentes, realizando salões anuais e mantendo cursos de arte. Em 1941, Bandeira expõe pela primeira vez, no 1º Salão Cearense de Pintura, promovido pelo CCBA. Em 1944, ganha o primeiro prêmio no 3º Salão Cearense de Pintura, com a tela Cena de botequim (1943).

Nesse momento, sua pintura tenta figurar cenas da vida suburbana de Fortaleza sem cair nos clichês do retrato de pescadores e jangadeiros. Em seus quadros são privilegiadas as populações marginais da cidade. O artista pinta cenas com personagens da boêmia, em Paisagem noturna (1944), e na penúria financeira, em Desempregados (1944). Trata dos temas com pinceladas enérgicas e um desenho forte, inspirados na vitalidade de Vincent van Gogh (1853-1890), dando a essas cenas uma textura vibrante que revela dramaticidade.

Em 1945, transfere-se para o Rio de Janeiro e realiza sua primeira exposição individual, no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). Contemplado pelo governo francês com bolsa de estudos, viaja a Paris, permanecendo lá de 1946 a 1950. Estuda pintura, desenho e gravura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Superior de Belas Artes] e na Académie de La Grande Chaumière. No entanto, em busca de uma arte não acadêmica, deixa essas instituições. 

O contato com as obras das vanguardas históricas aproxima seu trabalho do cubismo e do fauvismo. Em telas como Mulher sentada lendo (1948) e Cara (1948), as formas geometrizadas mostram influência de Pablo Picasso (1881-1973), mas os planos recortados têm cores fortes e contrastantes, ao modo fauve. Assim, sua obra já toma outras direções. 

Entre 1947 e 1948, participa de dois importantes eventos: o Salon d'Automne [Salão de Outono] e o Salon d'Art Libre [Salão de Arte Livre]. Com a pintora francesa Bryen (1907-1977) e o pintor alemão Wols (1913-1951), de quem se torna amigo, forma o Grupo Banbryols, que dura de 1949 a 1951. A convivência com esses artistas colabora para a guinada de seu trabalho para uma pintura mais gestual, abstrata e aberta a sugestões ligadas ao automatismo surrealista. Apesar de preservar a figura, aqui ela aparece de maneira sugerida, marcada pela interação de elementos livres como manchas e marcas de pincel. 

Em 1948, participa da mostra La Rose des Vents, na Galérie des Deux Ilés, que marca sua adesão ao abstracionismo informal. Seus trabalhos em guache e nanquim adquirem progressivamente esta feição. As linhas parecem perder a continuidade, não contornam figuras e, soltas por todo o trabalho, sugerem formas de objetos. Na pintura, essa mudança aparece a partir de 1949, em trabalhos como Paysage Lointain [Paisagem longínqua] (1950), em que o artista incorpora as manchas, riscos e as formas coloridas sem submetê-los a um desenho prévio.

De volta ao Brasil, em 1951, participa da 1ª Bienal Internacional de São Paulo e apresenta sua primeira grande exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). O artista Waldemar Cordeiro (1925-1973) escreve sobre as suas pinturas abstratas e as compara à produção concreta que ganha vulto no país na época. 

Em Fortaleza, em 1952, inicia uma nova fase de sua pintura. Radicaliza a abstração informal e passa a incorporar os gotejamentos e respingos da tinta. Busca uma tela em que o primeiro e o segundo plano se mostrem indistintos, não como um emaranhado caótico de cores, mas num jogo livre de linhas, harmonizado por formas coloridas. Ainda em 1952, cria um mural para o IAB, em São Paulo. Em trabalhos como Luares sobre cidade negra (1954) e Árvores (1955), se vale de formas geométricas para buscar um equilíbrio, entrecruzando linhas e pinceladas livres.

Retorna a Paris, em 1954, em razão do Prêmio Fiat, obtido na 2ª Bienal Internacional de São Paulo (1953), mas continua expondo no Brasil. Permanece na Europa até 1959, passando pela Inglaterra e Bélgica, onde, em 1958, realiza um painel para o Palais des Beaux-Arts [Palácio de Belas Artes]. Ao retornar ao Brasil, tem uma atividade artística intensa, participando de importantes exposições, em paralelo a mostras em Paris, Munique, Verona, Londres e Nova York. 

Seus quadros são cada vez mais gestuais. No entanto, não se pode dizer que eles se tornem abstratos em sentido estrito. Sua pintura segue com procedimentos da abstração gestual. Diferentemente do que ocorre na pintura realista, que se baseia na figuração, o artista procura figuras que surgem entre estes traços e pinceladas, na relação livre entre os elementos de seu trabalho, sugerindo imagens de flores ou paisagens. 

Em 1961, edita um álbum de poemas e litogravuras de sua autoria, e, no mesmo ano, João Siqueira realiza um curta-metragem sobre a obra do pintor. Em 1962, começa a incorporar materiais pouco usuais em suas telas, distribuindo miçangas na superfície pintada. Mais tarde, em 1965, o artista usa barbantes e isopor. Por volta de 1966, sua produção diminui, mas segue pintando até dias próximos de sua morte, em 1967, em Paris.

 

Obras